12.03.2008

Emanuelle

Pessoas românticas e inconseqüentes não se apaixonam pela pessoa em si, com suas características e defeitos. Pessoas alheias se apaixonam basicamente pelas coisas que pensamos e projetamos sobre o objeto apaixonante.

A evidencia da inexistência de um príncipe no cavalo branco - que virá nos resgatar desse sono eterno que é nossa rotina maçante - não me impede de ficar olhando as pessoas e imaginando tudo que elas podem ser simplesmente por simplesmente se parecer com outras.

O simples olhar, a tentativa de passar todo o sentimento que se espera na pessoa. A ridicularidade da frase 'oi, prazer, te amo' soa engraçada, porém é a realidade. Apaixonamos-nos pelas pessoas que criamos na cabeça, só damos um corpo a ela na rua para podermos olhar e nos derreter em suspiros. Porém as pessoas reais nunca são assim.

Algumas vezes até o nome muda.
Emanuelle era uma garota soturna, serena, difícil, diferente, acima dos outros.
Já a Emanuela é boba, fácil, crente e com um gosto duvidoso.

As pessoas são com seus defeitos e é difícil amá-las com isso. Mesmo pra alguém que já sofreu muito por amar e aceitar todas as características, manias e defeitos.

Talvez até por isso mesmo que hoje em dia me surpreendo com uma decepção dessas, e acho que um texto explícito pode causar problemas futuros.

Acho que essa alienação da realidade é Crônica.

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