8.20.2008

Vestígios de um Amor inocente (infantil)

Entro no carro e fecho a porta.
Olho pelo vidro que há entre nós e as lágrimas são inevitáveis.
Mas você não as vê. Ninguém, na verdade, as vê. Aprendi muito bem a disfarçar lágrimas com sorrisos e vazios com olhos esperançosos.
O carro parte e para trás fica você em seu vestido preto que eu amo.

Começa uma série de flashbacks, cenas em sépia de coisas que lembro por fotos e por fatos. E eventualmente, até alguns inexistentes, fruto de uma vontade muito grande, fruto de confusões que minha doentia e criativa produz.

Para trás ficam as fotos e as risadas, as alegrias e o silêncio. Todas as tardes animadas por piadas inúteis, baboseiras que só você atribui graça (talvez até por dó... sempre achei que você sabia de algo em mim que ninguém mais desconfiava), noites com conversas na cama e nasceres do sol, não observados por distração. Simplesmente ignoramos o mundo lá fora e nos concentramos em estarmos juntos, estarmos ali.
Inclusive, algo que sempre senti com você é que nosso silêncio sempre valeu mais que qualquer palavra. Nossas risadas valem mais que mil amizades e seus olhares valem mais que um milhão de abraços. Nossas palavras não são importantes, dão lugar aos beijinhos descompromissados e os flertes simplórios e inocentes.

Fica pra trás o ciúme não recíproco. As vontades não realizadas e os sonhos que continuaram sonhos. Talvez para sempre, talvez só por mais um longo ano.

Na realidade, o que ficou com a partida do carro foi meu coração, e toda a esperança e alegria infantil que ainda restava nele.

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